top of page

O Pequeno Príncipe

  • 8 de dez. de 2021
  • 11 min de leitura

O Pequeno Príncipe


Dia 01

O LIVRO

Antes de se apresentar como piloto às forças armadas francesa, Antoine de Saint-Exupéry entregou o manuscrito a sua amiga Silvia Hamilton e disse: "Gostaria de te dar algo esplêndido, mas é tudo o que tenho"....Ah se você pudesse saber que o seu tudo foi mais que suficiente! Depois da Bíblia, é só o 2º livro + traduzido em todo o mundo. Apesar de ter características de um livro Infantil, pode ser considerado uma literatura filosófica por conter diversas parábolas existencialistas.


São criadas diversas metáforas sobre o comportamento humano e os problemas da sociedade. 78 anos depois, os temas soam mais atuais do que nunca: a perda de valores na sociedade moderna, o progresso tecnológico, consumo, mas, acima de tudo, amizade e amor.


A DEDICATÓRIA

Uma das dedicatórias mais lindas destinadas ao amigo Léon Werth. Só dei a devida importância agora que pesquisei. Werth que era escritor e crítico de arte, estava na França sofrendo os horrores de ser judeu durante a 2ª Guerra Mundial, por isso o autor escreve: “...ele mora na França, onde tem fome e frio. Ele precisa ser consolado.” Por + amigos assim né gente!


O AUTOR

Escritor e piloto francês desapareceu a bordo de seu bimotor no dia 31/07/1944 durante uma missão perto de Córsega (sul da França, Mar Mediterrâneo). Tinha 44 anos. Seu amigo Léon Werth ficou sabendo sobre o desaparecimento do avião de Exupéry através de uma transmissão de rádio. Após morte do amigo, declarou: “Paz sem Tonio não é totalmente a paz”.


Dia 02

Capítulo 01 - O chapéu, o elefante, e a jibóia

Esse desenho é um ícone, e nos ensina a refletir sobre muitos preferirem ver a aparência superficial das coisas (o chapéu), do que tentar mergulhar no não tão óbvio, e por isso desafiador, mundo repleto de sentidos ou significados (o elefante e a jibóia). Exupéry não se considerava um “artista”,


Até desistiu dos estudos de arquitetura, registrando no livro: “As pessoas grandes aconselharam-me a deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática”. O que me lembra a frase de alguém que eu admiro: "O que você faz na vida te escolhe. Você pode optar por não fazer isso, você pode escolher tentar fazer algo mais seguro. Mas a sua vocação escolhe você." Jim Carrey.


Foi o próprio Saint-Exupéry que pintou as ilustrações do livro, feitas em aquarela. As áreas consideradas "fundamentais" como o Português e a Matemática, não são superiores ou mais significativas que a Arte. Incentivem suas crianças o máximo que puderem nas Linguagens artísticas, e nós adultos não esqueçamos que esse é um meio de comunicação que nos dá subsídios para compreender melhor a vida e nos proporciona a união da nossa racionalidade com a nossa emoção. Ao fechar a mente à imaginação, deixamos de lado a nossa sensibilidade e a nossa delicadeza, aquilo a que Exuspéry, com muito acerto, chama de nossa verdadeira inteligência.


O que fazemos da nossa vida é o que nos define, devemos vivê-la de uma maneira que faça jus ao que somos. Faça o que gosta e deixará um pouco de você em cada ação, assim, terá maior chance de ser feliz.


Dia 03

Capítulo 02 - Solidão do deserto, o Mistério, e sobre carneiros em caixas...


Antonie e seu mecânico sobreviveram à vários dias no deserto após seu avião cair entre a Líbia e o Egito na década de 1930. No livro, o súbito aparecimento do pequeno príncipe no deserto tem relação profunda com isso. É como se ali, passasse a refletir mais, e buscasse se autotransformar e renascer para Vida: Ou encontrava uma nova forma de voltar a enxergar sua existência e relacionamentos, ou morreria em sua solidão.


Depois da quase morte, precisava redefinir seu lugar no mundo, sacudir suas noções de realidade e o seu senso critico, precisava encontrar um outro alguém que o mostrasse que a vida podia sim continuar a ser vista com encanto, afeto e magia...."Vivi portanto só, sem alguém com quem pudesse realmente conversar, até que..." surge como que do nada aquela figura extraordinária para despertá-lo de sua vida, e atingi-lo como um raio.


Ele diz: "Quando o mistério é impressionante demais, a gente não ousa desobedecer". Com esta frase resume o modo com o qual devemos nos abrir às maiores surpresas da vida, e demonstra que sua alma estava pronta para ser tocada por aquela experiência incrível pois voltou a se abrir ao inexplicável. E esta atitude só é possível àqueles que possuem uma certa vastidão interior...!


E sobre o pequeno Príncipe? Numa pincelada, podemos dizer que esse pequeno ser possuía de forma incontestável a sensibilidade para perceber coisas que adulto nenhum percebia e das quais o piloto jamais conseguiu conversar com mais ninguém. Estava diante de alguém pra dividir as coisas mais preciosas, que poderia lhe tocar o âmago, penetrar em seu coração. Uma pessoa única, especial, alguém com quem poderia enfim criar Laços, cativar e ser por ele cativado....Um Amigo...!


Dia 04

Capítulo 3 – De onde vieste?

O jogo de conversas e ações do livro possibilitam a ideia de que vida e obra chegam a se confundir e o diálogo existente entre os dois personagens partem unicamente de um conflito mental que provém do mesmo sujeito, o autor Saint-Exupéry, camuflado por ambos personagens, que, em uma ambígua estranheza, dialoga consigo mesmo, hora como criança em sua psique, ora como adulto em sua realidade cênica. Exupéry, além de autor, é o alter ego do Pequeno Príncipe.


Se ele é adulto, então, como poderia estar pensando como uma criança? Ou será que ele não era adulto ainda? Talvez o "ser adulto" seja só uma espécie "cerca de proteção" que cresce ao redor do ego infantil, a frágil semente que sempre fomos: uma criança que só quer se divertir e brincar, amar e ser amada.


Capítulo 3 – Amor e Desapego

Para o pequeno príncipe, não havia motivos para amarrar o carneirinho, pois seu mundo (caixa/seu coração) é simples, é singelo, só tem aquilo que é importante. Além de que o seu amor e seu cuidado é o que poderia dar-lhe segurança para permanecer, e se escolhesse partir, nada mais poderia fazer. E por que o principezinho fica triste e melancólico ao declarar: “Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe”. Por que ele sabia que aqueles que não mergulham profundamente nos assuntos do coração (que não são uma linha reta), com seus inevitáveis solavancos, não poderão ir longe mesmo. Como que dizendo “Não vai a lugar algum aquele que não se arrisca a sentir profundamente a si e ao outro, permitindo-se ser vulnerável não só às flores, mas também às indesejadas, mas possíveis, dores do coração”. Fiquem com o diálogo de o vídeo a seguir. Parecido com o que o Pequeno Príncipe disse, mas que ainda o dirá com mais poesia nos capítulos a seguir!


Dia 05

Capítulo 4 - Asteróide B 612

O pequeno príncipe descreve seu planeta dando ênfase a este ser um lugar "pequeno", onde aquilo que importa de verdade está muito perto. Afinal, nada do que nos é caro fica muito longe de nosso coração, que é o nosso pequeno lugar que guarda tudo que realmente importa. Mesmo nosso coração sendo um lar apenas para coisas importantes, muitos se perdem, valorizando o que não deveria merecer tanto valor, ou atenção. "Mas ninguém lhe dera crédito, por causa das roupas que usava. As pessoas grandes são assim" [...] ”Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números”.


Capítulo 4 – A paixão de viver

“A prova de que o principezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro…" Da alegria e do riso se extrai por consequência evidente o desejo, se estamos vivos é porque desejamos…O desejo, o querer, é este ‘pathos’, que mobiliza a existência.


O contrário é o apathos, ou apatia, o estado de desalento onde não nos sentimos vivos, de nada rimos e nada mais desejamos. Se em nossa vida de gente grande já não encontramos alegria e riso, e assim perdemos o rumo de nossa existência, talvez caiba perguntar a nossa criança interior qual desejo urgente lhe falta neste instante? Onde se perdeu aquela coisa apaixonada que você ansiava instantaneamente para se sentir vivo e alegre?


Capítulo 5 – Os Baobás

"É uma questão de disciplina[...] que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras". Nos chama ao enfrentamento dos nossos pequenos problemas cotidianos, antes que eles se tornem grandes demais.

Essa metáfora, está relacionada ao tema do cultivo do Amor e do cuidado. Além de possuir referência à luta que o próprio autor travava em eliminar diariamente o nazismo que envolvia a 2ª Guerra Mundial.


Dia 6

1º Planeta: O Rei

É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou o rei. A autoridade repousa sobre a razão.

Exemplo: Não se pode exigir ou esperar de alguém que não consegue ver além de seu umbigo que se preocupe com o umbigo do outro. Seria preciso que o outro estivesse disposto a ter novas atitudes, e que eu estivesse disposta a aguardar este tempo de mudança. Precisamos alinhar as expectativas para conseguir seguir, entender o tanto que conseguimos esperar, ou sempre iremos nos frustrar por algo que não receberemos.


Tu julgarás a ti mesmo, respondeu o rei. É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues julgar-te bem, eis um verdadeiro sábio.

Por que é mais difícil? Olhar para dentro dói, então, se é para machucar alguém, muitos preferem que seja o outro. Preferem criar justificativas que só existem em suas mentes para que consigam executar suas más atitudes, suas más intenções. Considerando a sua própria satisfação, e se pensam em como isso irá impactar o outro, é momentâneo, logo voltam a pensar apenas em si.


2º Planeta: O Vaidoso

"Mas o vaidoso não ouviu. Os vaidosos só ouvem elogios."

Vocês já tentaram corrigir, ou aconselhar alguém vaidoso? O vaidoso não aceita crítica, não sabe ser exortado, tampouco tem um coração de aluno para ser repreendido e crescer o crescimento saudável. Ao descobrir que estará sujeito não só à admiração, mas também as críticas, este, será capaz de desistir de pessoas e/ou situações que os chame para uma reflexão mais coletiva que individual. São pessoas que estão envolvidas demais consigo mesmas.


3º Planeta: O Bêbado

“Por que é que bebes? / Para esquecer. / Esquecer o quê? / Esquecer que eu tenho vergonha. / Vergonha de quê? / Vergonha de beber!”

Você já tentou esquecer um problema seu cometendo outro problema? O bêbado tenta escapar da realidade por meio do álcool, mas não consegue escapar da vergonha de ser como é. Sempre dá menos trabalho desenvolver um mal hábito, do que eliminá-lo. E não se trata de uma dependência de hábito pelos resultados alcançados, mas pela própria distorção de seu propósito. Engana-se a si próprio achando que está ganhando algo.


4º Planeta: O Homem de negócios

O que fazes das estrelas? Nada. Eu as possuo / Possuo uma flor que rego todos os dias. Possuo três vulcões que revolvo toda semana. É útil para os meus vulcões, e útil para a minha flor que eu os possua. Mas tu não és útil às estrelas ...

Um claro exemplo do ter para ser servido e não para servir. O que você tem acumulado que só te serve como status? O senso de prioridade, que varia de um indivíduo pra outro, é o que pode livrar alguém do vício ou afundá-lo ainda mais nele. Liberte-se de pessoas, situações, sentimentos, liberte-se da necessidade do ter sem propósitos.


Dia 7

5º Planeta: Acendedor de Lampiões

"Aí é que está o drama! O planeta de ano em ano gira mais depressa, e o regulamento não muda!"

Os regulamentos são criados para atender as pessoas, é importante que estes sejam revisitados e questionados periodicamente para que estejam a serviço do bem estar do coletivo e estejam adaptados ao que é importante para as pessoas naquele momento. O acendedor de lampiões simboliza as pessoas que cumprem tarefas sem pensamento crítico, e trabalham sem parar, mesmo sabendo que não vão chegar a lugar algum.


A ROSA

Foi de propósito que inseri a ROSA nesta ordem. Vocês vão entender no próximo planeta.

Assim, ela o afligira logo com sua mórbida vaidade.

A rosa começou a crescer, e ficava horas se arrumando e ajeitando suas pétalas. Era linda, mas também orgulhosa, caprichosa e contraditória. Tudo era concentrado apenas nela, dessa forma isso desgastou a relação deles. Então o príncipe decidiu partir em busca de respostas. Mas eis que antes de partir, apesar de seu orgulho, ela reconhece:


Fui uma tola, disse por fim.Peço-te perdão. Trata de ser feliz.

Mais adiante é a vez do príncipe reconhecer:

"Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava ... Não devia jamais ter fugido. Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores ! Mas eu era jovem demais para saber amar."

Percebemos que não se trata da falta de amor, mas da falta de maturidade para saber lidar um com o outro.


A ROSA

A esposa de Saint-Exupéry, foi a inspiração para a rosa. Como aviador tinha uma vida agitada e distante de sua mulher, mas mesmo assim sabia que deveria cuidar dela, assim como o príncipe deveria cuidar de sua rosa. Muitas mulheres apareceram no caminho do aviador. Como disse a raposa, “Você é responsável por tudo aquilo que cativas”, e segundo a autobiografia de Saint, ele escolheu ficar, assim como o príncipe, com aquela que já havia cativado, sua esposa e rosa.


Dia 8

6º Planeta: O Geógrafo

“Minha flor é efêmera, disse para si mesmo o príncipe, “e ela só tem quatro espinhos para se defender do mundo. E eu a deixei sozinha no meu planeta!”


O Geógrafo deixa o príncipe abalado quando lhe conta que sua flor é efêmera, fazendo refletir sobre como somos frágeis e temos poucos anos de vida ao lado daqueles que amamos. Não há como negar que somos caracterizados pelos limites. Morremos. Desaparecemos. Saber disso "Foi seu primeiro movimento de remorso.", mas precisava seguir em sua busca por respostas.


7º Planeta: A Terra / A Raposa

O tempo que o Príncipe passou longe do seu planeta, lhe rendeu aprendizados que fez com que ele criasse um senso de valor para com a Rosa além daqueles que ele já possuía, ele entendeu que o amor implica cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento sobre o outro. As vezes cativamos (conquistamos) as pessoas, mas não cuidamos dessa relação. A partir deste ponto, tudo é auto explicável, mas vou destacar alguns pontos neste estudo que encerra amanhã <3. O que torna uma pessoa importante em nossas vidas?


Zigmunt Bauman nos fala sobre o amor líquido da modernidade, do quanto as relações estão descartáveis. E o livro nos guia na reflexão: Desaprendemos a amar, se é que em algum momento soubemos. Desaprendemos o que é cativar e deixamos de lado os sonhos, para adentrar em um mundo ruim, onde os espinhos têm vez, onde tudo é superficial. O livro nos guia para uma grande questão: Se amar é criar laços, quais laços estamos criando?

Fiquem com o vídeo a seguir, e amanhã encerramos snif'


Dia 9


“Os homens de teu planeta cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim...e não encontram o que procuram...”

Um jeito de sorrir, um pequeno defeito, ou mesmo uma mania apaixonante são os reais responsáveis por alguém ser único. Do contrário, sem estes atestados de afeto tão simples e quase imperceptíveis, todo o resto seria desperdiçado e o indivíduo não passaria de mais um entre muitos. “A busca contínua por perfeição pode ser boa para comprar um carro, mas em seu relacionamento isso pode resultar na falta de reconhecimento do grande parceiro que está em sua frente”.


Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. É necessário cuidar do que deixamos entrar em nosso coração. Parafraseando Jeremias 17:9: O coração humano é enganoso, mais do que todas as coisas, e perverso, justamente porque ele está constantemente ardendo de paixão por várias coisas ao mesmo tempo. Vivem a tática do '“até que eu encontre alguém melhor”, ao invés de dar seu melhor. Um fugaz ato, gesto ou palavra, podem alterar por completo seu destino e de todos os que te rodeiam, para o bem ou para o mal.


"O que tanto me comove nesse príncipe adormecido é sua fidelidade a uma flor; é a imagem de uma rosa que brilha nele como a chama de uma lâmpada, mesmo quando dorme...".

Reler este livro buscando significados foi de uma riqueza sem igual pra mim. Espero que todas estas alegorias, metáforas e significados tenham tocado pontos profundos na mente e coração de vocês. Fazendo-os aplicar estas reflexões em suas próprias histórias de vida. Que possa ter contribuído em mais um passo de sua busca por respostas e autoconhecimento. Por isso, limpe e...Escute seu coração.


[...] Amor é preocupação ativa pela vida e crescimento daquilo que amamos. Onde falta essa preocupação ativa não há amor. ~ Erich Fromm, “A Arte de Amar”.

Vamos cuidar melhor de quem amamos? Vamos cuidar melhor de nós mesmos? Para ser feliz é preciso suportar obstáculos, pois o caminho até nossos sonhos nunca será fácil, mas é como todos que chegaram lá dizem: Vale a Pena!


Sorteio do Livro e anúncio do Próximo tema: dia 10/12

Mande sua opinião sobre o que achou! Cruj, Cruj!


SORTEIO - Resultado 10/12/2021 em @danny.drigues


Danny Rodrigues, curiosa.

Acompanhe mais conteúdo no Stories Semanal do Instagram em @danny.drigues

REFERÊNCIAS

- A Lição sobre o chapéu, o elefante, e a jibóia, clique aqui

- Exposição mostra que o livro "O Pequeno Príncipe" nasceu em Nova York, clique aqui

- Os livros mais traduzidos de sempre, clique aqui

- Léon Werth, clique aqui

- Em entrevista, Joseph Hanimann, autor da biografia Antoine de Saint-Exupéry, clique aqui

- A Arte e o Desenho Infantil: uma perda de tempo?, clique aqui

- Breve Análise Pscianalítica d’o Pequeno Príncipe: Uma (Re)Interpretação Atualizada

- A pessoa perfeita não existe: aceitar os defeitos do seu parceiro faz bem para o relacionamento, clique aqui


Comentários


© Criado por Danny Rodrigues

  • Branca Ícone Instagram
bottom of page