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A "Justiça" popular no brasil

  • 26 de nov. de 2020
  • 3 min de leitura

UM CRIME POR OUTRO

1 milhão de brasileiros já participaram de linchamentos [1]. Seja por roubo de bicicleta, fake news, ou crimes hediondos, “O linchamento e outras formas de justiça com as próprias mãos, também são delitos, mesmo que motivados para ‘punir’ outro crime". Eles invocam uma série de outros delitos, como ofensa à integridade ou até a própria vida das pessoas, o dano ao patrimônio público, e uma série de outros danos” [2].


Justiça com as próprias Mãos - Conexão

Sob condições de tirania, é muito mais fácil Agir do que Pensar. Hannah Arendt


A distinção entre ação violenta e não violenta é que a primeira se dedica exclusivamente à destruição do antigo, e a segunda se preocupa principalmente com o estabelecimento de algo novo. Hannah Arendt


IMPUNIDADE?

"O linchamento é sempre uma reação defensiva da sociedade​ contra o aumento da insegurança e da violência. Mesmo que haja violência e brutalidade no linchamento, se trata de uma reação auto defensiva, mesmo que seja injusta [3]. Hoje (2014) estamos a​ mais de uma tentativa de linchamento diária [4]". Uma das "explicações [5]" é que existe uma sensação de impunidade. De que a justiça não é feita e quando é, não parece ser suficiente. Mas "dados [6]" mostram que o Brasil prende bastante!


A prisão do jeito que é hoje, é inócua* porque “se eu traí meu País, sou preso; se matei meu pai, sou preso; todos os delitos imagináveis são punidos de maneira uniforme. Tenho a impressão de ver um médico que, para todas as doenças, tem o mesmo remédio - E um remédio que não cura! CH. CHABROUD [7] *sem resultado


LARGUEM AS PEDRAS

A obra do artista Giovani Caramello*, intitulada de "Diálogo", nos remete de imediato que estamos todos necessitados de compreensão, diálogo e respeito sobre o que nos une e/ou nos diferencia.


O “quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra. Jo 8:7" continua valendo para chamar a atenção de nossas consciências e muitas vezes, ações julgadoras e punitivas.


Isso não significa nos calarmos, o caminho da NÃO-VIOLÊNCIA nos arrebata do "pagar o mal com mal", e nos convida a marchar por muitas causas: "Sem justiça, sem Paz✊🏼" - porém, larguem as pedras...!


*Giovani Caramello, é de Santo André, ABC paulista, e é o único escultor hiper-realista brasileiro com notoriedade internacional.


CONSCIÊNCIA COLETIVA


O Estado perverso, violento e intolerante somos nós, nos vangloriamos de tirar vantagem de tudo e de todos. Cada qual resolve por conta própria, pelo jeitinho, pela força, poder ou influência, definir suas leis particulares, o que é certo ou errado, atacando a lógica da convivência, desdenhando das leis. O que dá inteligibilidade a todos esses comportamentos é uma estrutura psicológica precisada por Freud, a perversão: desdém, recusa da lei. Ela cria testemunhas silenciosas, omissas e coniventes, depois, cúmplices, e, finalmente, iguais. Não existe sociedade, mas um bando atemorizado, cruel e perigoso. Animais acuados, hienas prontas a se defender atacando outros. Devemos reconhecer que nossa perversão se alimenta dia a dia e recusar a esse chamado. Nossa resposta só pode ser pela ética. Pela justiça social e pelo bem comum, pela reafirmação do pacto social e pelo enfrentamento daqueles que insistem em se colocar num gozo narcísico, egoísta, individualista, amoral, no qual o projeto coletivo não existe. [8]


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Danny Rodrigues, estudante de Serviço Social, ativista dos Direitos Humanos, curiosa.

Referências do Texto


[1] País do ódio: 1 milhão de brasileiros já participaram de linchamentos, saiba mais

[2] e [5] Justiça com as próprias mãos é um risco à ordem social, dizem especialistas, saiba mais

[3] , [4] A Epidemia da Justiça Popular, saiba mais

[6] "Brasil prende muito e prende mal. Será?", saiba mais

[7] Vigiar e punir: ideias sociais e jurídicas na obra de Foucault, saiba mais

[8] O que podemos diante dos perversos?, saiba mais

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