top of page

Diversidade Cultural I

  • 11 de nov. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 17 de nov. de 2020



09/11 Celebra-se o Dia Internacional Contra o Fascismo e o Anti-Semitismo, então resolvi fazer o caminho de reflexão sob o ponto de vista cultural deste momento da história, mas logo migrando para a questão da Diversidade Cultural em nosso país, a origem de algumas expressões culturais, rememorando conceitos, e juntos refletirmos sobre nossas posturas frente a estes cenários.

O que é cultura?

O primeiro antropólogo a sistematizar o conceito de cultura foi Edward Tylor: "Cultura é todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem na condição de membro da sociedade" |1|.

ENTARTETE KUNST

ENTARTETE KUNST, foi uma exposição (1937) de pinturas, esculturas, livros, gravuras e desenhos considerados "impuros", opostos e ofensivos ao regime nacionalista. Mas a classificação como degenerada, é anterior à fundação do próprio Partido. Assim, quando Hitler passa a governar o país, em 1933, o uso dos adjetivos "degenerado" e "sadio" já está suficientemente estabelecido no meio cultural, um exemplo marcante de ETNOCENTRISMO cuja ideia era a existência de uma superioridade da raça ariana branca em relação às demais |2|.

ETNOCENTRISMO

Everardo Rocha, antropólogo e professor do departamento de Comunicação Social da PUC-Rio e um grande estudioso brasileiro do etnocentrismo, afirma que o Etnocentrismo é a "Visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade etc”. Pode relacionar-se com o racismo, a xenofobia ou a intolerância religiosa, porém esses não são, rigorosamente, as mesmas coisas |3|.


Conhecer a Realidade Social Implica em Entender e Comunicar Suas Complexidades, Dinamicidade e Contradições.

Cláudia Tenório


ETNOCENTRISMO NO BRASIL

No Brasil o etnocentrismo prevalece ainda hoje, pois o homem branco que aqui vive ainda enxerga o indígena como alguém atrasado socialmente. Também vemos manifestações etnocêntricas por aqui ao percebermos os habitantes dos estados das regiões Sul e Sudeste do país acharem-se mais desenvolvidos cultural ou socialmente que os habitantes das regiões Norte e Nordeste.

Xenofobia

A xenofobia é a aversão ao que é estrangeiro, ao que veio de fora. Uma visão etnocêntrica, por partir da sua própria cultura para estabelecer uma hierarquia cultural, tende a ver o estrangeiro como alguém inferior em hábitos, costumes, religião e outros aspectos culturais. O que resulta naquela aversão ao que veio de outro lugar e é, portanto, inferior ao que já habitava o lugar de referência |4|.

Relativismo cultural

O respeito à diversidade cultural destrói qualquer noção de hierarquia cultural e traz à tona a ideia de Relativismo, ou seja, de que os aspectos de uma cultura devem ser observados respeitando a identidade daquela cultura específica e não partindo de uma noção própria de sua cultura. Essa noção de relativismo cultural é necessária para que se estabeleça um estudo sério e preciso sobre as diferentes culturas. Marilena Chaui chama a atenção para o fato de que um relativismo cultural exagerado pode ocasionar na normalização de comportamentos e hábitos culturais desumanos |5|.

RELATIVISMO X ETNOCENTRISMO

Um exemplo disso está no Sudão que reconheceu como crime que habitantes de tribos locais pratiquem a mutilação genital das. Em 2014, 86,6% das mulheres do país tinham sido vítimas deste ato. Essa prática, é um exemplo de que nem sempre um hábito cultural pode ser relativizado em nome da recusa ao etnocentrismo |6|.

A humanidade está constantemente às voltas com dois processos contraditórios, um tende a criar um sistema unificado, enquanto o outro visa manter ou restaurar a diversificação.

Claude Lévi-Strauss, o antropólogo que questionou o etnocentrismo presente nas análises antropológicas.


Não deixe de conferir a parte II deste texto - clique aqui


Danny Rodrigues, estudante de Serviço Social, ativista dos Direitos Humanos, curiosa.

Referências do texto


|1| Edward Burnett Tylor, nos parágrafos iniciais de Primitive Culture (1871; A cultura primitiva, saiba mais.

|2| Perseguição nazista à arte: o modernismo como arte “degenerada”, saiba mais.

Arte Degenerada no Itaú Cultural, saiba mais.

|3| ROCHA, Everardo Pereira Guimarães. O que é etnocentrismo?. Col. Primeiros Passos. 5. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1988, p. 5.

|4| ETNOCENTRISMO, saiba mais

|5|PORFíRIO, Francisco. "Etnocentrismo"; Brasil Escola, saiba mais.

|6| Sudão, Observatorio3setor, saiba mais.



Pra REFLETIR: Qual o Impacto da Arte?


György Lukács |7| acredita que "a arte deve promover no indivíduo uma sensação um efeito que cause incômodo, ainda mesmo que o fundamento social não seja consciente para o criador nem para o receptor, ela deve ter uma consequência para a vida social do indivíduo."


Não há neutralidade nas obras de arte. Arte como expressão cultural é também a expressão dos conflitos do homem singular e do homem coletivo. Essa digamos, educação para a arte pode contribuir para a formação do pensamento crítico, da conscientização, da formação do cidadão de fato.


O quadro "Operários" de Tarsila do Amaral (1933), representa a diversidade étnica do Brasil, e faz uma critica social mostrando um povo oprimido pelas elites. Elas parecem todas iguais, representando, portanto, um sistema que massifica o cidadão.


Operários”, de Tarsila do Amaral, está em exposição no Palácio dos Bandeirantes, saiba mais


|7| ARTE E LUTA DE CLASSES: APONTAMENTOS SOBRE “OS OPERÁRIOS” E "MANIFESTACIÓN”, saiba mais

Comentários


© Criado por Danny Rodrigues

  • Branca Ícone Instagram
bottom of page